PEDAGOGIA CRÍTICA EM TEMPOS DIGITAIS: DISPUTAS NA FORMAÇÃO DOCENTE FRENTE AO AVANÇO DA PLATAFORMIZAÇÃO NO BRASIL
Palavras-chave:
Plataformização educacional, Financeirização da educação, Pedagogia decolonial, Capitalismo digitalResumo
Este artigo analisa criticamente os impactos da plataformização educacional e da financeirização da formação docente no Brasil, articulando tais processos às transformações do capitalismo digital pós-2008. A partir do campo da educação agrária, investiga-se como a lógica empresarial e os modelos de governança corporativa têm redefinido o papel das instituições públicas, dos docentes e dos currículos, especialmente por meio da atuação de fundações empresariais, EdTechs e organizações privadas no interior das políticas públicas. Por meio de uma abordagem metodológica qualitativa, com caráter exploratório e analítico, denuncia-se o avanço de uma pedagogia do algoritmo, orientada por metas e indicadores, que despolitiza o trabalho docente e esvazia sua dimensão emancipatória. Em contraposição a essa tendência, o texto recupera os fundamentos teórico-políticos da pedagogia crítica latino-americana, com destaque para o legado de Paulo Freire, a concepção de professor como intelectual orgânico e as contribuições das epistemologias do Sul. Valoriza-se o papel das universidades públicas e dos institutos federais como territórios de resistência e afirma-se a importância dos programas de formação docente ancorados nos movimentos sociais do campo, como PRONERA e Saberes da Terra. Conclui-se que resistir à plataformização não significa recusar a tecnologia, mas disputar seus sentidos e usos a partir de uma perspectiva enraizada, crítica e territorializada. Em tempos de aprofundamento do novo neoliberalismo, formar professores comprometidos com a justiça social e ambiental é, também, formar sujeitos de resistência e esperança.
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